segunda-feira, 6 de abril de 2009

RESPOSTA EM CARTA ABERTA

Gostaria de dar resposta em carta aberta á entrevista que o Sr. Presidente da CML, deu ao Correio da Manhã do dia 26 de Março de 2008, em nome de uma consciência louletana, que anseia pela honestidade e frontalidade.
Resposta:

Acontece(u)Numa sociedade democrática e desenvolvida, compete a um autarca e, por maioria de razão, a um candidato anunciado para um novo ciclo de poder, explicar aos seus munícipes, o que acontece, o que aconteceu e o que acontecerá no concelho, se ele continuar na liderança.

Chame-se prestar contas ao aconteceu. Dir-se-ia que o acontece faz parte da campanha das autárquicas do próximo Outono. Quanto ao acontecerá, poderia e deveria ser a estratégia que o autarca pretende seguir para o desenvolvimento do concelho.

Em artigo de opinião publicada recentemente, num matutino nacional, o Sr. Presidente da Câmara de Loulé elogiou a agenda de eventos do Parque das Cidades. Seja com o verbo no passado ou no presente - aconteceu ou acontece - vale a pena os louletanos e, quiçá, os algarvios fazerem um exercício de memoria, essencial para se avaliar; 1.) a prestação de contas; 2.) a presente campanha; 3.) as opções futuras dos que querem liderar a câmara de Loulé.

Comecemos então pelo que aconteceu:

Aconteceu que há uns anos a Via do Infante foi projectada como a espinha dorsal, uma estrutura viária que se encarava como a âncora das acessibilidades, essencial ao desenvolvimento da nossa região.

Aconteceu que Loulé, pela sua centralidade, foi dotada de três nós de acesso a Via do Infante, sendo o principal e de maior movimento - o Nó Loulé Sul - o que faz a ligação ao Aeroporto/Faro, a Loulé, a Almancil e à orla costeira Quinta do Lago/Vale de Lobo.

Aconteceu que, anos depois, foi projectado o Parque das Cidades, também servido pelo referido nó, com diversas valências, estando agora a funcionar o Estádio do Algarve.

Aconteceu em todos os eventos importantes que atraiam espectadores de toda a região, haver gigantescos engarrafamentos, a transbordar pela Via do Infante, que de via rápida se transforma em lenta.

Aconteceu também que no Parque das Cidades foi projectado, e bem, dado o investimento publico da estrutura, o Hospital Central da Região, mais o Laboratório de Analises Regional (já construído).

Acontecerá que a maioria do trânsito das unidades de saúde vai também circular maioritariamente pelo Nó Sul de Loulé, o que dá acesso ao Parque das Cidades.

Acontecerá num futuro muito próximo (2012) a circulação de milhares de veículos - neles incluindo ambulâncias - que se deslocam de e para o Hospital Central, se vai juntar ao tráfego de e para aeroporto, nas partidas e chegadas dos turistas, e ainda as deslocações devido a actividade económica gerada nos concelhos de Loulé e Faro.

Acontecerá que a requalificação da EN 125, associada à construção da Circular Exterior de Faro, já em concurso publico, prevê a ligação à via Loulé/Faro próximo do Nó Loulé/Sul, ou mais exactamente o nó Hospital/Parque das Cidades/Aeroporto.

E entre o que aconteceu e o que acontecerá o que e que acontece? Acontece por tudo o que atrás foi dito, que este e o momento de o Sr. Presidente da Câmara de Loulé estar atento, e que seja capaz de conjugar o verbo acontecer no futuro, mas de forma a alertar os organismos nacionais como as Estradas de Portugal e a ANA, Aeroportos SA; as entidades regionais como a CCDR e o Turismo do Algarve, mas também as associações empresariais para o que acontecerá a curto prazo: o estrangulamento da principal porta de entrada viária do Algarve, se não se tomarem medidas que travem a destruição deste eixo central da regido. A entrada de Faro, em especial nas alturas festivas é um (mau) exemplo.

O que acontecerá à força centrifuga de Loulé (como diz o Sr. Presidente) quando os acessos forem difíceis e congestionados, porque faltou estratégia de desenvolvimento?

Os louletanos não querem ter de justificar aos netos, no futuro, que aconteceu a força centrifuga se ter transformado em centrípeta apesar dos estudos e dos meios disponíveis, para evitar essa situação.

acontece desenvolvimento quando há estratégia para construir o futuro que acontecerá. Sem isso, ficaremos a lamentar mais tarde o que aconteceu devido a decisões erradas.

Qual e a sua escolha. Sr. Presidente?

A Consciência Louletana

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